Num mundo onde, cada vez mais, a soberania de uns é a tirania de outros, a riqueza material de uns dá lugar á pobreza espiritual de outros e o verdadeiro "Homem" mata-se todos os dias.
A vida é efémera porque o materialismo assumiu tal posição na vida do ser humano que o coração é reduzido à "tal máquina" que bate sem parar e que, quando para, é para sempre. O mundo industrializado apoderou-se dos poetas, a era da "futilidade" permanece e parece que nada voltará a ser como antes.
Alguma vez paras-te para ouvir o cantar dos pássaros? Um dia, quando somente restar o olhar de uma criança, o choro de uma mãe perdida, a dor de um soldado maneta ... quando a humanidade "em cuecas" ficar sem elas, tenho a certeza, que vais desejar ouvir os pássaros que nunca deste a devida atenção.
O homem não para, não pensa, e quando o faz é porque o dinheiro não chega ou porque falta um tijolo para a construção . O que ele não vê é que o metafisico comanda a vida e que, no seu caso, o comando partiu-se desde o momento em que este trocou a fralda pelas calças de marca.
Assim foi, assim é, e se continuar, não será por muito tempo - porque a vida acaba quando quiser.
domingo, junho 26, 2011
segunda-feira, junho 06, 2011
Porque há lugares no mundo que se parecem connosco.
Faz muito tempo que questiono o motivo pelo qual permaneço presa ao passado. A tudo aquilo que, anteriormente, maguou mas que desejo para a posterioridade. De todas as vezes que me questionei não encontrei resposta. É como se tudo estivesse vivo e de tal forma presente na minha memória que parece repetir-se constantemente.
" Hás vezes sinto que, rodeada de afectos, percorri um caminho até uma caverna desastrosa e, durante esse caminho, fui deixando o rasto de um passado perfeito. No entanto, quando quis regressar ao presente, não recuperei o rasto.
Permaneço na caverna, rodeada de pessoas que não existem, de folhas soltas, de palavras sem nexo e frases mal articuladas.
Há uma facto que me deixa intrigada - a intensa sensação de que pertenci sempre a este lugar.
É como se este lugar fosse eu mesma, como se nunca tivesse conhecido lugar no mundo diferente deste. É como se as sombras fossem pessoas de carne e osso, como se as folhas soltas fossem abraços, como se as palavras fizessem sentido e como se as frases, sem nexo, fossem as leis desta terra abatida onde eu anseio permanecer para a eternidade.
Porque há lugares no mundo que se parecem connosco.
" Hás vezes sinto que, rodeada de afectos, percorri um caminho até uma caverna desastrosa e, durante esse caminho, fui deixando o rasto de um passado perfeito. No entanto, quando quis regressar ao presente, não recuperei o rasto.
Permaneço na caverna, rodeada de pessoas que não existem, de folhas soltas, de palavras sem nexo e frases mal articuladas.
Há uma facto que me deixa intrigada - a intensa sensação de que pertenci sempre a este lugar.
É como se este lugar fosse eu mesma, como se nunca tivesse conhecido lugar no mundo diferente deste. É como se as sombras fossem pessoas de carne e osso, como se as folhas soltas fossem abraços, como se as palavras fizessem sentido e como se as frases, sem nexo, fossem as leis desta terra abatida onde eu anseio permanecer para a eternidade.
Porque há lugares no mundo que se parecem connosco.
segunda-feira, maio 23, 2011
Aquilo que nunca fui
Caminhamos sob palavras incertas à procura de frases perfeitas e, na ignorância da sabedoria, tornamo-nos poetas, cantores do fado daqueles que não possuem memória. Falhamos todos os dias, caímos todas as noites e, no entanto, somos erguidos pela glória de um passado hegemónico. Em cada novo amanhecer, erguemos lembranças, pintamos retratos e declamamos as tristezas de uma vida quase perfeita.
É na convivência com os outros que nos apercebemos de que o mal que possuímos é desejado pl'aqueles q'em pior situação se encontram - é nessa convivência que crescemos, mingamos e voltamos a crescer.
O que seríamos nós sem as memórias de tudo o que já fomos? E, se ainda assim somos crianças eternas e ignurantes para sempre, o que seria de cada um sem a presente lembrança de tudo o que somos, representamos e constituímos para os outros?
Há que pensar que, embora nos idealizamos de uma determinada forma, nem sempre somos aquilo que realmente desejamos.Porém, quando estamos prestes e fechar eternamente os olhos, olhamos para trás e vemos que tudo o que construímos faz sentido e que, afinal, somos e seremos importantes para a vida de alguém.
Conclusão: A memória, ainda que insensata, torna-nos eternamente gratos por tudo aquilo que nunca conseguimos ser.
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