quarta-feira, dezembro 22, 2010

Sozinha

Hoje, mais do que nunca, vou escrever-te.
Há muito tempo que não sentia algo parecido, há muito que não me faltava o ar e a terra, há muito que sonhava com este momento ainda que ingénuo e vulgar.
Esta vontade estúpida de escrever-te é uma mistura de favores inalterados pela cede de um reencontro.
E, ainda que saiba que não irás ler nem uma palavra aqui impressa, eu escrevo, muito mais do que eu quero mas muito menos do que preciso.
Hoje, eu não vejo limites estabelecidos para nada do que faço. Talvez me chamem louca ou não porque o faço mas é tudo o que necessito. E enquanto as mãos carregarem e o peito escrever com a alma nobre de um cavalo branco eu vou fazê-lo, sem qualquer preconceito.
As janelas estão fechadas, as portas trancadas e as camas despidas bem como a mim mesma.
Esta noite eu sou a Lua do meu próprio céu, aquele que eu pinto todas as noites em que me deito sozinha e te sinto comigo.
E sabes o que mais dói no meio de tudo isto?
É o paradoxo que vivo entre o mais e o menos - Quanto mais eu escrevo, menos dor eu sinto.






É por isto que a vida ainda me pertence pois caso contrário estaria longe.

sexta-feira, novembro 26, 2010

A carta que nunca te escrevi

"Ainda que saiba que o dia tem 24 horas e que dessas 24 horas nenhuma é tua, eu temo a cada dia que passa a possibilidade de perder o dia inteiro em função dos teus passos, condicionada pelo teu desalento.


Tomaste-me a alma e rejeitas qualquer tipo de negociamento, que faço eu sem raciocínio?
Quereis que ame sem coração, que respire sem pulmões, que viva sem ti? que mais queres que eu faça para além do que já fiz? Tenho o corpo roto de tanto desespero e o olhar vazio de tão perdida que me sinto.
A única coisa que peço é que vos olheis ao espelho e vejais o quão longe estáis da perfeição.
E nunca pedi que fosses meu...nunca pedi para ser sua.
 O destino tratou de juntar-nos. o fogo e o gelo, pois e agora?
(sabes lá o quão grata estou de chegar ao fim)
Vais matar-me ou morrer? queres que realmente diga o que penso? O teu sangue é veneno, a tua boca é pecado e o teu olhar ... não posso pensar !
Que pergunta mais absurda e evidente.
 
p.s.Eu nunca estive viva, eu nunca te amei".
Rasguei-a mesmo antes de escreve-la, com o maior dos arrependimentos.

domingo, novembro 21, 2010

21 de Novembro (...)

Longe de um momento mas ao alcance de qualquer gesto, sem vontade mas com força suficiente para prosseguir sem ressentimento.
Há sempre momentos em que o mundo para para nos olhar, e nesses momentos a vida parece mais curta que imaginávamos.
Nesses momentos em que nos sentimos demasiado pequenos e frágeis, ainda que o sejamos mesmo, há sempre uma força, uma vontade, um guia. Por muito fracos que estejamos há sempre quem acredite na pouca força que temos.
Pois afinal, a esperança será sempre a última a perder forças.
E se tal acontecer, a humanidade não terá mais nome.
E o ciclo da vida é infinito, se há aqueles que se sentem fracos a vida inteira sem saberem o quão fortes são, há aqueles que morrem na ignorância de uma força insistente sustentada pelo egoísmo do poder.
 
Enfim, a vida já não é vida.