"Depois de passar-me a mala para as mãos, despediu-se rapidamente com um beijo no rosto e empurrou-me para a direcção do comboio. Era como se estivesse a fazer com que tudo fosse dolorosamente mais rápido. A decisão tinha sido tomada pelos dois. Não sabíamos ao certo se seria o melhor para ambos mas sabíamos que esta era a única forma de saber - tentar.
Depois de entrar, deixei-me ficar junto á porta. A mesma fechou-se e eu fiquei a olhar o rosto envergonhado do homem que deixava para trás. Várias imagens passaram pela minha cabeça: o primeiro beijo, a primeira noite, o primeiro ano, o primeiro pesadelo, a primeira ausência (...)
Limpei as lágrimas com raiva da minha própria vergonha e virei o rosto com medo de obrigar alguém a parar o comboio.
Só mais tarde percebi que nunca deveria ter partido para onde quer que fosse. ♥ "
sexta-feira, novembro 11, 2011
quinta-feira, novembro 03, 2011
Desapontada
Deixei a chuva percorrer o meu rosto e adormeci com uma nuvem de recordações insensatas e impuras de dois amantes que se perderam para sempre.
segunda-feira, outubro 03, 2011
Adormecida
Antes de deitar despi-me e libertei a alma. Abri a janela e deixei-a ir. Foi demasiado fácil desligar-me das emoções.
A partir desse momento foi como se falta-se qualquer coisa. "Qualquer coisa" que não é importante agora.
Afastei as cortinas, subi as persianas, abri as janelas e deslizei até á varanda.
A lua ilumina os longos hectares de terra e vegetação. As estrelas estão de tal forma embutidas no céu que é como se nele estivessem penduradas.
Nunca, em toda a minha vida, me apercebera de como a noite é eterna.
Virei-me para o interior do quarto. Sob a cama tinha a caixa. A caixa de tudo o que um dia fui. São recordações?
Não . São águas passadas que as cheias levarão.
Como já disse, a noite está linda e não sinto outra coisa.
A minha missão é fazer de mim aquilo que devo ser - Sem passado, sem sofrimento e sem identidade.
Identidade? que percebo eu sobre isso.
Bem, no fim de contas estou a fazer o que, todas as noites, meio mundo tenta fazer enquanto a outra metade deixa para a noite seguinte.
O que no fundo nos falta é uma missão. Algo que faça com que sejamos autênticos. Sim, autênticos.
Sem segundas preocupações, sem aparentes "ses", sem uma identidade definida como "robotts".
Aposto que, a partir desta noite, a lua nunca mais parecerá redonda.
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