sábado, janeiro 15, 2011

Em tempo de Guerra

Os meus olhos esvaem lágrimas de sangue, a minha alma depenada vagueia pela cidade perdida à procura de um abrigo.
Não sei como tudo aconteceu mas, se ainda ao menos tivesse memória.
Não me lembro como vim parar a este corpo (...) se sempre dele fiz parte.
"Vejo pessoas a dormir nas ruas, casas em remodelação, consigo ainda ver mais ! Meu Deus! Os céus estão cobertos de fumo."
Perdi a memória na calçada, o meu olhar é lúcido ... a minha nitidez é cega, traidora do meu próprio desejo.
Sinto saliva no peito e sangue na boca, ou não me sinto?


Quero voltar para casa mas perdi o caminho, ou será que ele não existe?

nem ontem, nem amanhã, hoje !

Eu não quero ser feliz com as recordações de um passado intermediario, não quero gozar das vibrações de um prospero futuro ... Eu quero caminhar no hoje, viver no hoje, permanecer e ficar no hoje que ainda não gozei a pensar no passado e no futuro, aqueles que me lavam a cara de água suja.
Normalmente é isto que acontece.
Vivemos o pouco que temos a pensar naquilo que nos farta, e o muito que não temos apaga com o pouco que temos (...) resumindo e concluindo, o que vivemos? praticamente nada.
Porque?
Porque o que temos para viver passamos a planear o que não podemos fazer, a sonhar com o que nunca vamos ter mas que (graças ao espírito pobre da esperança) cobiçamos, rugamos e pedimos .

E depois, quando o mal que vimos nos outros, atropela-nos a memória e o futuro, aquele com quem perdemos demasiado tempo, deixa de existir. Porque a vida são dois dias e o primeiro já passou.

(Eu sei que isto nao faz qualquer sentido, mas eu sinto)

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Sozinha

Hoje, mais do que nunca, vou escrever-te.
Há muito tempo que não sentia algo parecido, há muito que não me faltava o ar e a terra, há muito que sonhava com este momento ainda que ingénuo e vulgar.
Esta vontade estúpida de escrever-te é uma mistura de favores inalterados pela cede de um reencontro.
E, ainda que saiba que não irás ler nem uma palavra aqui impressa, eu escrevo, muito mais do que eu quero mas muito menos do que preciso.
Hoje, eu não vejo limites estabelecidos para nada do que faço. Talvez me chamem louca ou não porque o faço mas é tudo o que necessito. E enquanto as mãos carregarem e o peito escrever com a alma nobre de um cavalo branco eu vou fazê-lo, sem qualquer preconceito.
As janelas estão fechadas, as portas trancadas e as camas despidas bem como a mim mesma.
Esta noite eu sou a Lua do meu próprio céu, aquele que eu pinto todas as noites em que me deito sozinha e te sinto comigo.
E sabes o que mais dói no meio de tudo isto?
É o paradoxo que vivo entre o mais e o menos - Quanto mais eu escrevo, menos dor eu sinto.






É por isto que a vida ainda me pertence pois caso contrário estaria longe.