sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Fica comigo esta noite .

Acordei.
A manhã esta calma e triste, as ruas estão desertas . talvez porque é Domingo e eu tenho frio.
Esta noite Sonhei contigo .  Não imaginas a saudade que tenho e a dor que não sinto.

 (Quero contar-te um segredo, daqueles que não tenho mas que preciso contar. Para que fiques a saber que sou tua e tu és meu, e que antigamente já fomos amantes da mesma lua e perdedores da mesma batalha).

Os dias pertencem-te, as manhas querem-te e eu preciso de ti, muito mais do que queria.
Tenho as malas feitas, as roupas arrumadas ... tenho a memoria limpa como um software formatado á espera que faças clique na tecla "enter" e comeces a processar informação.
Concentro em mim todas as angustias do mundo, todas as tristezas dos tristes e lealdade dos nobres .
Não quero que me deixes, não quero que me mates, não quero que me ames mas também não quero que me odeies ... quero que (...) não quero . Vejo no espelho do quarto o reflexo de alguém que já não reconheço, alguém que de mim faz parte mas que não sou eu. Sinto a garganta seca de chorar.
Somente peço que me deixes voltar a sonhar contigo.
Mesmo antes da rajada de vento me acordar pediste que te fizesse uma promessa ...

(- promete que nunca me vais esquecer.)

Só quero que saibas que as promessas são como as perguntas, quando rétoricas só servem de acessório para o discurso palerma de quem não sabe o que dizer .
O dia ainda agora começou e eu já quero que ele termine , só para te encontrar de novo.
Só quero que percebas que, neste texto completamente sem nexo, vagueiam as lembranças de um tempo inalcançavelmente perdido.
M.A

segunda-feira, janeiro 31, 2011

A chegar ao fim

O Dia está cinzento e chove. (Lá fora e dentro de mim)
Posso ver, através da janela, a chuva que caí, sentir o vento que sopra e cheirar o odor a terra molhada que me corrompe a memória e me faz voltar atrás no tempo:
(-Estava um dia que nem aqueles dias de chuva, mas éramos felizes ... lembras-te?
-Como me poderia esquecer...
-Preferia que te esquecesses do dia, da noite (...) mas que me quisesses como naquele dia .
-Eu ainda quero.
-Porque sabes que vou morrer.)
(O olhar dele caiu sobre o colo e não deu sinal de qualquer esperança)

||Voltando a mim.||
Consigo ouvir o som da cascata bem lá de longe! consegues ouvir?
E a brisa do mar para além das montanha? sentes? Aii como eu sinto tudo isto!
Eu sinto e choro, e esta dor infinita por si só vale a pena.
Sabes porquê?
Enquanto sentir dor é porque ainda te tenho, que não seja só em pensamento.

p.s. Sinto a garganta seca e um montão de gente a rodear-me. A saudade atropelou-me o pensamento e não quer sair de cima! Maldito o pão de cada dia!

sábado, janeiro 15, 2011

Em tempo de Guerra

Os meus olhos esvaem lágrimas de sangue, a minha alma depenada vagueia pela cidade perdida à procura de um abrigo.
Não sei como tudo aconteceu mas, se ainda ao menos tivesse memória.
Não me lembro como vim parar a este corpo (...) se sempre dele fiz parte.
"Vejo pessoas a dormir nas ruas, casas em remodelação, consigo ainda ver mais ! Meu Deus! Os céus estão cobertos de fumo."
Perdi a memória na calçada, o meu olhar é lúcido ... a minha nitidez é cega, traidora do meu próprio desejo.
Sinto saliva no peito e sangue na boca, ou não me sinto?


Quero voltar para casa mas perdi o caminho, ou será que ele não existe?