segunda-feira, maio 23, 2011

Aquilo que nunca fui

Caminhamos sob palavras incertas à procura de frases perfeitas e, na ignorância da sabedoria, tornamo-nos poetas, cantores do fado daqueles que não possuem memória. Falhamos todos os dias, caímos todas as noites e, no entanto, somos erguidos pela glória de um passado hegemónico. Em cada novo amanhecer, erguemos lembranças, pintamos retratos e declamamos as tristezas de uma vida quase perfeita.
É na convivência com os outros que nos apercebemos de que o mal que possuímos é desejado  pl'aqueles q'em pior situação se encontram - é nessa convivência que crescemos, mingamos e voltamos a crescer.
O que seríamos nós sem as memórias de tudo o que já fomos? E, se ainda assim somos crianças eternas e ignurantes para sempre, o que seria de cada um sem a presente lembrança de tudo o que somos, representamos e constituímos para os outros?
Há que pensar que, embora nos idealizamos de uma determinada forma, nem sempre somos aquilo que realmente desejamos.Porém, quando estamos prestes e fechar eternamente os olhos, olhamos para trás e vemos que tudo o que construímos faz sentido e que, afinal, somos e seremos importantes para a vida de alguém.
Conclusão: A memória, ainda que insensata, torna-nos eternamente gratos por tudo aquilo que nunca conseguimos ser.

segunda-feira, abril 18, 2011

Passado, presente e futuro.

O futuro é um tempo sem tempo determinado.
Sabemos que é o amanhã que ainda não chegou e que certamente chegará mas que, mais tarde ou mais cedo, deixará de existir para alguém.
 É então que o passado vem à baila e o futuro parece não ser necessário para a felicidade de outrem.
É no futuro que moram as eternas promessas de amor, onde reside a esperança de tudo o que não está bem e onde permanece o fado de todos aqueles que respiram.
É no passado que mora o ontem, onde reside a saudade de tudo o que foi maravilhoso e digno de recordação, e onde permanece o vestígio do fado que não passou.

O futuro é a incógnita,o passado é a história onde na memoria reside a permanência de um tempo que já passou.
E o Presente?
O presente é o futuro do passado.
É tudo aquilo que vivo hoje.
O presente é tão efemero que tudo o que escrevi já é tempo passado.

sábado, abril 09, 2011

Efemeridade

Os dias são diferentes aos que nunca vivi;
As manhãs são como as noites sem luar e as praias vazias de gente;
A Rua sem esquina parece igual a todos os dias;
A temporalidade das coisas parece escassa;
A efemeridade da vida é mais acentuada;
A minha alma está perto do abismo;
(Chegou a hora de entrares em cena)
Cerra-me a boca!
Aperta-me contra o teu peito!
Não me deixes mais.
Vai, não vás. Vai, não vás.
Espera...
 Ouves?

Estas palavras (...) são banais, tão simples de ler que parecem música. No entanto, a forma como as utilizamos fazem das mesmas a mais perfeita melodia, a verdade do real, a pureza do perfeito.
Eu sei que esta noite não estás aqui, sei que não vais estar amanhã e nunca saberei se estarás um dia, não sei mesmo se algum dia estives-te mas ... de uma coisa eu tenho a certeza, eu já desejei uma dessas noites mais do que a vida.
O relógio da sala parou e o despertador tocou -é hora de levantar, mais um dia me espera.
 (Como vez não tive tempo sequer de adormecer) .