quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Despedida



-Olha para mim!-exigiu.
O olhar dele era de tanta repulsa e tristeza, acompanhadas de uma raiva tão nobre, que não conseguí manter o meu olhar erguido por muito tempo.
-Deixa-me partir. – As minhas palavras eram tão verdadeiramente falsas que alguém gritava para que não as tivesse pronunciado.
A mão que me apertava contra a parede largou-me e o braço caiu-me sobre o corpo paralisado. Era como se estivesse a um passo do abismo e me tivessem ajudado a cair.
Ao perceber o medo que começava a invadir o meu corpo, sem dizer uma única palavra, ele pegou no meu queixo com as suas mãos, morenas e quentes, e exigiu que o olhasse novamente. Aquele olhar fazia-me tremer, de tal modo que os meus olhos fecharam-se enfraquecidos e aterrorizados. Uma vaga de horror apoderou-se de mim seguida de uma compaixão humilde e, enquanto as lágrimas começavam a escorrer me pelo rosto, os braços dele rodearam o meu corpo, apoderando-se de mim.
-Não tenhas medo ... – sussurrou com a voz trémula - ...não vou deixar que caias sozinha.
Tinha acabado de ouvir aquilo que mais queria mas, simultâneamente, aquilo que não deveria querer.

Deixa de ser patética! Queres que ele parta contigo, tanto como ele.
Os pensamentos denunciavam-me a cada segundo.

Cala-te. Exigi a mim mesma.

Permanecemos naquele ritual durante meio minuto. Os braços, quentes e fortes, que se debatiam contra a minha pele, fria e pálida, evidenciavam o contraste das nossas diferenças.
-Espera aqui um minuto, por favor. –pediu colocando-me no chão,
O tempo de eu fechar e abrir os olhos foi o suficiente para voltar a tê-lo ao meu lado. Desta vez acompanhado - por uma mala de viagem.  Ao ver a minha cara de pasmo um largo sorriso rasgou-lhe o rosto e as suas palavras saíram como uma lufada de ar fresco:
-Há espaço para mim na tua vida? – a pergunta dele era tão retórica quanto a que lhe fiz de seguida.
-Porque não haveria de existir?

No suspiro seguinte tinha-me enterrada contra o peito forte e volumoso do homem que seria, finalmente, meu para o resto da vida.

O que parecia uma inevitável despedida deu lugar a um eterno reencontro. Porque o meu desejo sempre disse: Um amor eterno não começa duas vezes.

3 comentários:

  1. amo as imagens *-* representam a história de amor mais bonita que já li e vi...

    o teu texto é simplesmente do mais apaixonante possível... escreves mesmo bem :D acabas de ter mais um seguidor assíduo ! :D

    nunca deixes de escrever , és óptima nisso!

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  2. Ola Pedro, obrigado pelo teu comentário !
    É muito bom e, sobretudo, gratificante saber que existem pessoas a apreciar os meus textos :)
    Muito obrigado, mesmo.
    Beijinhos

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  3. Outro fantástico texto.
    Platónico, romântico e um pouco da realidade que todos desejamos viver.
    A história de Amor perfeita, num texto perfeito. Muito bom :)

    David Barbas

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"Tudo o que escrevo não está escrito em livro algum senão no meu, tudo o que sinto não é sentido por mais pessoa senão a minha. Um obrigado do fundo do coração a todos aqueles que fazem deste sonho uma realidade." Bianca D'Sousa