sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Angustiada

Um dia já quis ser princesa do reino dos outros, amante do coração mais nobre e detentora da maior felicidade possível. Porém, com o tempo, fui-me apercebendo que a vida não é como nos livros que lia antes de adormecer.
As histórias são diferentes da História. O ser humano sonha, o ser humano cria e o ser humano constroi mas, por trás de toda a novidade, existe nele um lado mais puro e simultâneamente egoísta - A recordação de um tempo perdido. Aquela que magoou tantos poetas, aquela que inconscientemente é vista como o tempo de "ouro". É lá que moram as princesas e os Príncipes e todas as alegrias de um tempo sem fim.
No fundo, se o Homem soubesse, desde logo, o sofrimento pelo qual terá de passar depois da inconsciência infantil, aposto o meu coração como, covarde como é, preferia não nascer .

Tudo o que somos não passa daquilo que tentamos ser e, muitas das vezes, morremos sem tentar ou perdemos a cabeça a conseguir.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Memórias de uma Dama

De acordo com tudo o que ficou para trás, a vida seguirá piorando.
Os dias parecem encolher e as noites somente trazem à tona as memórias que, cobertas de mágoa, corrompem a postura de uma dama.
Lembro-me, com perfeita clareza, dos passeios de bicicleta pelos terrenos despovoados. Hoje, em lugar dos mesmos impõem-se, cada vez mais, as grandes infira-estruturas. A meu parecer, o mundo está perdido.
O homem contribui diariamente para a sua auto-destruição. Faz tempo que não sinto o verdadeiro perfume das flores caseiras que, um dia, fizeram parte da vivenda (numa jarra ao pé da lareira).
O que de pior se trata são os valores. A dignidade atingiu uma nova definição - impura e incorrecta. (Mas aceite pela maioria) .
Não há muito para dizer, (corrijo) não há muito que deva ser dito.
*A Ignorância faz do ser humano alguém mais digno de viver. Tal como uma criança.
A criança que um dia eu fui. A criança que já morreu.



 
P.S. Deixo tudo o que herdei ao vento.