segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A chegar ao fim

O Dia está cinzento e chove. (Lá fora e dentro de mim)
Posso ver, através da janela, a chuva que caí, sentir o vento que sopra e cheirar o odor a terra molhada que me corrompe a memória e me faz voltar atrás no tempo:
(-Estava um dia que nem aqueles dias de chuva, mas éramos felizes ... lembras-te?
-Como me poderia esquecer...
-Preferia que te esquecesses do dia, da noite (...) mas que me quisesses como naquele dia .
-Eu ainda quero.
-Porque sabes que vou morrer.)
(O olhar dele caiu sobre o colo e não deu sinal de qualquer esperança)

||Voltando a mim.||
Consigo ouvir o som da cascata bem lá de longe! consegues ouvir?
E a brisa do mar para além das montanha? sentes? Aii como eu sinto tudo isto!
Eu sinto e choro, e esta dor infinita por si só vale a pena.
Sabes porquê?
Enquanto sentir dor é porque ainda te tenho, que não seja só em pensamento.

p.s. Sinto a garganta seca e um montão de gente a rodear-me. A saudade atropelou-me o pensamento e não quer sair de cima! Maldito o pão de cada dia!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Em tempo de Guerra

Os meus olhos esvaem lágrimas de sangue, a minha alma depenada vagueia pela cidade perdida à procura de um abrigo.
Não sei como tudo aconteceu mas, se ainda ao menos tivesse memória.
Não me lembro como vim parar a este corpo (...) se sempre dele fiz parte.
"Vejo pessoas a dormir nas ruas, casas em remodelação, consigo ainda ver mais ! Meu Deus! Os céus estão cobertos de fumo."
Perdi a memória na calçada, o meu olhar é lúcido ... a minha nitidez é cega, traidora do meu próprio desejo.
Sinto saliva no peito e sangue na boca, ou não me sinto?


Quero voltar para casa mas perdi o caminho, ou será que ele não existe?

nem ontem, nem amanhã, hoje !

Eu não quero ser feliz com as recordações de um passado intermediario, não quero gozar das vibrações de um prospero futuro ... Eu quero caminhar no hoje, viver no hoje, permanecer e ficar no hoje que ainda não gozei a pensar no passado e no futuro, aqueles que me lavam a cara de água suja.
Normalmente é isto que acontece.
Vivemos o pouco que temos a pensar naquilo que nos farta, e o muito que não temos apaga com o pouco que temos (...) resumindo e concluindo, o que vivemos? praticamente nada.
Porque?
Porque o que temos para viver passamos a planear o que não podemos fazer, a sonhar com o que nunca vamos ter mas que (graças ao espírito pobre da esperança) cobiçamos, rugamos e pedimos .

E depois, quando o mal que vimos nos outros, atropela-nos a memória e o futuro, aquele com quem perdemos demasiado tempo, deixa de existir. Porque a vida são dois dias e o primeiro já passou.

(Eu sei que isto nao faz qualquer sentido, mas eu sinto)