sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A carta que nunca te escrevi

"Ainda que saiba que o dia tem 24 horas e que dessas 24 horas nenhuma é tua, eu temo a cada dia que passa a possibilidade de perder o dia inteiro em função dos teus passos, condicionada pelo teu desalento.


Tomaste-me a alma e rejeitas qualquer tipo de negociamento, que faço eu sem raciocínio?
Quereis que ame sem coração, que respire sem pulmões, que viva sem ti? que mais queres que eu faça para além do que já fiz? Tenho o corpo roto de tanto desespero e o olhar vazio de tão perdida que me sinto.
A única coisa que peço é que vos olheis ao espelho e vejais o quão longe estáis da perfeição.
E nunca pedi que fosses meu...nunca pedi para ser sua.
 O destino tratou de juntar-nos. o fogo e o gelo, pois e agora?
(sabes lá o quão grata estou de chegar ao fim)
Vais matar-me ou morrer? queres que realmente diga o que penso? O teu sangue é veneno, a tua boca é pecado e o teu olhar ... não posso pensar !
Que pergunta mais absurda e evidente.
 
p.s.Eu nunca estive viva, eu nunca te amei".
Rasguei-a mesmo antes de escreve-la, com o maior dos arrependimentos.

domingo, 21 de novembro de 2010

21 de Novembro (...)

Longe de um momento mas ao alcance de qualquer gesto, sem vontade mas com força suficiente para prosseguir sem ressentimento.
Há sempre momentos em que o mundo para para nos olhar, e nesses momentos a vida parece mais curta que imaginávamos.
Nesses momentos em que nos sentimos demasiado pequenos e frágeis, ainda que o sejamos mesmo, há sempre uma força, uma vontade, um guia. Por muito fracos que estejamos há sempre quem acredite na pouca força que temos.
Pois afinal, a esperança será sempre a última a perder forças.
E se tal acontecer, a humanidade não terá mais nome.
E o ciclo da vida é infinito, se há aqueles que se sentem fracos a vida inteira sem saberem o quão fortes são, há aqueles que morrem na ignorância de uma força insistente sustentada pelo egoísmo do poder.
 
Enfim, a vida já não é vida.

sábado, 13 de novembro de 2010

É na cegueira das palavras que mora a transparência dos sentimentos, longe do óbvio e perto do inalcançavel.
Mesmo que a maior parte das pessoas não tenha a capacidade de perceber que é preciso lutar, existem excepções que tornam a vida mais sóbria daquilo que não existe.
São oportunidades que a vida nos oferece uma vez na vida, as quais nós desperdiçamos, ainda que não percebamos, comprometendo-nos assim ao inferno.

E as palavras deixam de fazer sentido mesmo quando o piano toca nas traseiras do recinto, e as pessoas choram sem motivo (...) ainda que saibam que tudo tem um fim limitam-se, muitas das vezes, a viver do infinito.

(Ponto final.)