domingo, 6 de junho de 2010

Memória

Não sei dizer ao certo á quanto tempo foi, nem o dia, nem o ano, nem mesmo se já passaram séculos desde então.
Também não me lembro do local nem de como tudo aconteceu.
Sei que havia calma e serenidade, sei também que ao longe se avistava a cidade coberta de neblina. As
pessoas falavam sem se ouvirem e perfuravam o coração uma das outras com os punhais de sentimentos sujos.
Ao fim ao cabo tudo acabara, a cidade ficou deserta e o silencio era perturbador.
Talvez fosse o inicio do fim ou o começo de tudo.

Continuo a perceber que nada sei ao certo, a não ser que lá estaava. Nesse mundo deserto de gente.
Um mundo onde eu não tinha lugar.
Posso dizer que dos 300 anos que vivi, por muito vulgar que tenha sido, foi o que ficou. O fogo, as pessoas que amei até esse dia, as palavras, os momentos (...) tudo foi morrendo aos poucos. Em poucas décadas apercebi-me que estava morta mas vivia.

O sangue que me escorria nas veias desse tempo louco não escorre mais, e a pessoa que fui já não a conheço.
Descobri que ser imortal é impossível desde o momento em que a nossa alma é enterrada junto daqueles que nos pertenciam, nos lembravam, nos amavam ...

Fiquei presa naquele sitio, perdi-me lá.

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"Tudo o que escrevo não está escrito em livro algum senão no meu, tudo o que sinto não é sentido por mais pessoa senão a minha. Um obrigado do fundo do coração a todos aqueles que fazem deste sonho uma realidade." Bianca D'Sousa